A Organização Mundial da Saúde pediu que as gorduras trans sejam eliminadas dentro de cinco anos.

Publicado em 15/05/2018 16:23:46

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O mundo é capaz de eliminar as gorduras trans produzidas industrialmente até 2023, afirmou a OMS (Organização Mundial da Saúde) na segunda-feira (14), divulgando um plano que, segundo a entidade, poderá evitar 500 mil mortes por ano decorrentes de doenças cardiovasculares. As gorduras trans são populares entre fabricantes de alimentos fritos, assados e salgadinhos porque têm um prazo de validade longo, mas são ruins para os consumidores, aumentando o risco de doenças cardíacas em 21% e as mortes em 28%, informou a OMS em comunicado.

“Por que nossas crianças deveriam ter um ingrediente tão inseguro em seus alimentos?”, questionou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Implementar a estratégia da entidade para substituir as gorduras trans, o que inclui divulgar alternativas mais saudáveis e legislar contra ingredientes nocivos, os retiraria da cadeia alimentar e representaria uma grande vitória contra as doenças cardíacas, afirmou Ghebreyesus.

Vários países ricos já eliminaram virtualmente as gorduras trans estabelecendo limites às quantidades permitidas em alimentos industrializados. Alguns proibiram óleos parcialmente hidrogenados, que, segundo a OMS, é a principal fonte de gorduras trans produzidas industrialmente.

“A gordura trans é um produto químico tóxico desnecessário que mata, e não há motivo para pessoas de todo o mundo continuarem sendo expostas a ele”, disse Tom Frieden, ex-diretor do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos que hoje comanda a iniciativa Resolve.

No início deste mês, a OMS emitiu suas primeiras recomendações sobre gorduras trans desde 2002, dizendo que adultos e crianças deveriam consumir um máximo de 1% de suas calorias diárias na forma de gorduras trans.

Sistemas de informação no Brasil

A indústria de alimentos tem sofrido derrotas mundo afora. Impostos sobre formulações com excesso de açúcar, restrições à publicidade infantil e modelos de rotulagem que tentem desencorajar o consumo de produtos não saudáveis têm sido adotadas por países, Estados e cidades. É uma tentativa acelerada de colocar freio às doenças associadas à obesidade, um dos maiores problemas do século 21.

No Brasil, vamos em passos incertos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve fechar este ano um novo modelo de rotulagem frontal de alimentos industrializados. Mas onde a Anvisa pretende chegar? A elementar pergunta ainda não tem resposta, ao menos publicamente. Isso significa que podemos terminar 2018 com uma decisão capaz de mudar drasticamente o cenário. Ou podemos desperdiçar uma oportunidade de prevenir e combater a obesidade.

Existe uma diferença grande entre as duas assertivas possíveis: promover um ranqueamento de ultraprocessados ou desestimular o consumo desses produtos. “O NutriScore e o sistema de advertências não respondem ao mesmo objetivo”, disse a epidemiologista Chantal Julia, uma das criadoras do NutriScore, modelo adotado de forma voluntária na França em outubro do ano passado.

“Enquanto o NutriScore visa a oferecer uma base para comparar produtos, entre categorias e dentro dessas categorias (para ajudar em substituições), o sistema de alertas objetiva identificar os alimentos não saudáveis.”

Na Anvisa, quem defende o NutriScore é a Associação Brasileira de Nutrologia. Nesse sistema, os ingredientes negativos (calorias, açúcar, gordura saturada, gordura e sal) somam pontos. Quanto maior a pontuação, pior o produto. E há ingredientes positivos que subtraem pontos (vegetais, fibras, proteínas, entre outros), melhorando a pontuação. Tudo isso é cruzado para chegar a uma classificação que vai de A a E.

Já as advertências chilenas foram a inspiração para um sistema apresentado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e pela Universidade Federal do Paraná. Além de alertar para o excesso de sal, açúcar, gorduras saturadas e gorduras totais, o modelo defendido na Anvisa acusa a presença de adoçantes e gorduras trans.

O outro sistema em jogo, apresentado pela Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação, é um semáforo com as cores verde, amarelo e vermelho para os principais nutrientes. A maior parte das evidências científicas mostra que pouco funciona, a ponto de um dos criadores, Mike Rayner, ter aderido a um abaixo-assinado que pede que a Anvisa adote os triângulos de advertência.

O processo que está em curso na Anvisa é o desdobramento das conclusões de um grupo de trabalho que funcionou entre dezembro de 2014 e abril de 2016. Lá, a indústria de ultraprocessados já estava presente. Como bem assinala o relatório final, é difícil chegar a um acordo frente a interesses tão conflitantes.

Fonte: Jornal O Sul.

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