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2026-08-19

Vale do Taquari tem risco de tornados, embora fenômeno seja raro na região; primavera exige atenção, afirma meteorologista da UFSM.

O Vale do Taquari está sujeito à ocorrência de tornados, embora o fenômeno seja mais raro e localizado do que outros eventos associados a tempestades. A avaliação é do meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Murilo Lopes, que participou do programa Redação no Ar, da Rádio Independente, nesta terça-feira (18). Segundo ele, todo o Rio Grande do Sul apresenta condições favoráveis à formação de tornados, e a perspectiva de mais situações propícias a tempestades durante a primavera exige atenção nos próximos meses.

Conforme Lopes, o Sul do Brasil está em uma região naturalmente favorável à ocorrência de tempestades severas, especialmente durante a primavera. Esses sistemas podem provocar granizo de grande tamanho, vendavais e, em condições específicas, tornados. O meteorologista pondera, porém, que parte do aumento observado nos registros desses fenômenos está relacionada à facilidade atual de documentar ocorrências por meio de celulares, fotos, vídeos e internet.

Segundo Lopes, apesar de algumas áreas do Estado apresentarem condições mais propícias, existem registros históricos de possíveis tornados também no Vale do Taquari. “No entanto, nós temos registros de tornados já na região dos Vales, inclusive na região de Lajeado, na década de 1960, alguns registros provavelmente associados a tornados.”

O meteorologista explica que tornados são fenômenos bastante localizados. Diferentemente de sistemas meteorológicos capazes de atingir grandes áreas, eles podem percorrer algumas dezenas de quilômetros e apresentar largura inferior a um quilômetro. Para que sejam formados, é necessária uma combinação específica de fatores atmosféricos, entre eles calor, umidade e mudanças na direção e intensidade dos ventos conforme a altitude. Essas condições podem favorecer a formação das chamadas supercélulas, tempestades com rotação em seu eixo.

A previsão exata de onde um tornado ocorrerá ainda é um dos principais desafios. Conforme Lopes, os meteorologistas conseguem identificar com alguns dias de antecedência setores onde haverá condições favoráveis à formação de tempestades rotativas, mas não determinar antecipadamente a localidade que será atingida. Já os alertas específicos para tornados são emitidos com poucos minutos de antecedência. Nos Estados Unidos, segundo ele, esse intervalo chega a cerca de 15 minutos.

Lopes também aponta que a cobertura de radares meteorológicos ainda é limitada no Rio Grande do Sul, situação que interfere na capacidade de acompanhar tempestades em tempo real. A perspectiva, segundo ele, é de instalação de novos equipamentos pelo governo estadual até o fim deste ano.

Caso uma pessoa perceba a aproximação de um tornado, a principal orientação é buscar uma área interna e protegida da residência. Lopes explica que, quando o fenômeno se aproxima diretamente de um observador, ele tende a permanecer no mesmo ponto do campo de visão enquanto aumenta de tamanho.

O banheiro pode ser uma das áreas mais seguras da casa por geralmente ser um cômodo pequeno e apresentar reforços estruturais. O meteorologista também recomenda evitar janelas e locais expostos. O automóvel, por sua vez, não é considerado um abrigo adequado caso esteja na trajetória do tornado, pois pode ser deslocado em situações de maior intensidade.

Fonte: Rádio Independente