2026-08-19
IA e TikTok estão comprometendo preparo real para vestibular e Enem.
Com a proximidade da volta às aulas em grande parte das escolas do Brasil, professores retomam o semestre com uma preocupação a mais: o uso indiscriminado de inteligência artificial e vídeos curtos pode estar prejudicando o desempenho de quem se prepara para o Enem e para vestibulares.
Segundo coordenadores pedagógicos, o problema não está na tecnologia em si, mas no hábito de trocar o esforço de raciocínio por respostas já prontas como fórmulas de matemática popularizadas no TikTok, redações formatadas por IA e decorebas treinadas sem compreensão real.
O comportamento — que cria uma falsa sensação de domínio de conteúdo — se intensificou, conforme professores, com a disseminação de assistentes de IA generativa e pode estar causando uma mudança na forma de estudar para o Enem e os vestibulares tradicionais.
Para alguns educadores, o fenômeno pode estar associado a um quadro mais amplo de sobrecarga cognitiva e fadiga digital: o acesso constante a estímulos rápidos nas telas reduz a tolerância a tarefas que exigem concentração prolongada, como ler textos longos ou resolver problemas em várias etapas.
O problema fica mais evidente nas questões discursivas e na redação, etapas em que não basta reconhecer uma resposta certa: é preciso construir argumentação própria. Sem prática de escrita e raciocínio autônomo, aqueles que dependem de atalhos tendem a apresentar textos rasos ou fora do tema proposto.
Para Denise Canal, diretora do Colégio Virgem Poderosa, da Rede Santa Catarina, o grande desafio não é restringir o uso da IA, mas ensinar o estudante a utilizá-la. "Ela pode ser uma excelente ferramenta para aprofundar conhecimentos e organizar os estudos. O problema surge quando substitui o esforço intelectual", afirma a executiva em um comunicado.
Nesse contexto, abordagens pedagógicas baseadas em metodologias ativas têm ganhado espaço. Elas estimulam o aluno a deixar de ser apenas receptor de conteúdo e assumir um papel mais participativo no processo: investigando problemas, testando hipóteses e aplicando o conhecimento em diferentes situações.
A solução não passa pelo abandono da tecnologia, dizem os especialistas. É possível, sim, usar IA e vídeos curtos como apoio pontual, associados à prática regular de exercícios sem consulta, revisão de erros e produção de textos autorais — atividades que obrigam o cérebro a reconstruir o raciocínio em vez de achá-lo já pronto.
Fonte: CNN Brasil