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2026-08-12

Economia do frio: quem ganha com o inverno de quase R$ 6 bilhões do Rio Grande do Sul .

Na rede de restaurantes Di Paolo, conhecida pela sequência de massas e galetos, as três casas localizadas na Serra Gaúcha costumam faturar cerca de R$ 3 milhões somente no mês de julho. Nos outros meses do inverno, a receita gira em R$ 2 milhões. Em Bento Gonçalves, cidade em que o negócio surgiu há mais de 30 anos, a fábrica que produz alimentos congelados da marca também sente a chegada das temperaturas baixas: o faturamento mensal, normalmente na casa de R$ 1 milhão, chega a R$ 3 milhões entre maio e julho.

“O inverno, para nós, é a alta temporada. Julho é o mês mais forte do ano”, diz Paulo Geremia, empresário à frente da Di Paolo. Segundo ele, o movimento triplica em relação a períodos comuns do ano e, nos fins de semana mais disputados, chegar a cinco vezes o normal."

A conta ajuda a mostrar, em pequena escala, uma indústria que se espalha por hotéis, restaurantes, vinícolas, parques, comércio, transporte e atrações turísticas no Rio Grande do Sul.

O turismo gaúcho movimentou R$ 5,79 bilhões durante a temporada de inverno de 2025, segundo estimativa da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul obtida pela EXAME. Somente em julho, período das férias escolares e auge da temporada na Serra, foram R$ 1,32 bilhão em consumo — 13% acima do registrado em junho.

Para 2026, o governo estadual trabalha com a projeção de avançar em até 15% sobre o ano passado, diz o secretário estadual de Turismo, Raphael Ayub. O clima tem ajudado. A Serra teve uma temperatura média de 9,33°C em junho, abaixo dos 13,39°C registrados no ano passado. Dependendo do horário do dia, algumas regiões chegam a registrar temperaturas negativas.

Os primeiros números também mostram um começo de temporada mais forte. Entre junho e a primeira quinzena de julho, as atividades turísticas movimentaram R$ 2,16 bilhões no estado, avanço de 6,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025, segundo a Secretaria de Turismo.

É essa combinação entre uma característica climática difícil de reproduzir em grande parte do Brasil e uma cadeia de negócios construída ao redor dela que forma o que empresários e representantes  do setor chamam de economia do frio.

Fonte: Guilherme Gonçalves, EXAME.